segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Era una belleza extraña y salvage, um rostro que al pronto extrañaba , no se podía olvidar.
Sobre todo, los ojos tenían una expresíon voluptuosa y feroz a la vez que no he encontrado después en ninguna mirada humana.
Ojo de gitano, ojo do lobo.

( Cigana Carmen - Prosper Merrimée )



Sobre páginas de meu diário particular...



É incrível como tudo muda o tempo todo...  a distância esclarece, clareia, faz você visualizar uma realidade antes vista sob uma ótica míope... você consegue observar e entender com mais clareza...e então você descobre que o universo sabe o que faz...e se rende, e começa a ver com outros olhos pessoas que você não deu uma chance, ou não prestou atenção nos sentimentos dela , por mais generosa que era e agia com você...
Tentar recomeçar já é um caminho... se teremos sucesso, se vamos achar o caminho da felicidade? não sei...
Mas ... tantas vezes entramos com tanta força, vontade e sentimento em um caminho e não da certo também... ninguém sabe como uma situação vai se resolver daqui um tempo...ninguém sabe de nada... a vida é uma incógnita... o que acreditávamos percebemos que não tinha o tom que lhe atribuíamos... e assim a vida vai se transformando...
Agora sei que nem sempre acreditar e sentir, basta... é todo um conjunto, é como um jogo... as peças precisam estar todas no tabuleiro, e os jogadores devem querer e estar dispostos a jogar...
Somos a somatória de vidas já vividas em outros tempos, temos um caminho a percorrer... assim é a vida... assim é o universo... me rendi a ele... torço por mim e espero ser feliz...

"Ser feliz. Mesmo que só por pirraça. Só pra provar ao destino quem é que pode mais."


"Você não sabe o quanto eu caminhei
Pra chegar até aqui
Percorri milhas e milhas antes de dormir
Eu nem cochilei
Os mais belos montes escalei
Nas noites escuras de frio chorei"






sábado, 28 de novembro de 2015


"Não confie no amor de quem não consegue ficar sozinho.
Nunca foi ao cinema sozinho, nunca viajou sozinho, perambula pela rua feito um cão que se perdeu do dono.
Sentar na lanchonete de uma livraria para tomar um cafezinho assemelha-se a uma catástrofe.
Sua solidão lhe parece vergonhosa e indigesta, é evitada com o mesmo afinco com que evitaria a morte.
Para ele, qualquer parceria é melhor que nenhuma. Uma conversa enfadonha é melhor que o silêncio.
Um chato é melhor que ninguém. É praticamente um viciado em companhia.
E como todo viciado, critério não é o seu forte.
Não confie no amor de quem não suporta a própria presença. De quem telefona a fim de papo furado, de quem envia mensagens só para ouvir o sinal da chegada da resposta, de quem precisa se iludir de que não está só.
Quem de nós não está só?
Uma manhã de frente para o mar, uma tarde com um livro, uma noite com um filme, três dias inteiros numa cidade estranha, uma rua que nunca foi atravessada, um museu com tempo livre à vontade, uma cama vazia – para ele, simulacros do inferno.
Não confie no amor de quem não se entretém. De quem se desespera em frente ao espelho.
Sozinho é uma coisa, solitário é outra. Sozinho é com, solitário é sem.
Não confie no amor de quem negocia sua autenticidade. Como amar de verdade outro alguém, se não sabe de onde esse amor vem? Amar é doar, não vem do doer.
Não confie em quem ama para ser um par, não confie em quem quer apenas se enquadrar, não confie em quem ama por não se tolerar.
Amar tem que ser extraordinário. Além do que já se tem. Se sozinho você não se tem, amar vira tubo de oxigênio, ânsia, invenção e enredo barato, perde a dignidade, o amor vira muleta e trucagem.
Confie, sim, no amor de quem não precisa amar por sobrevivência, de quem se basta e mesmo assim é impelido a se dar, porque dar-se é excelência, não é mendicância."

( Viciados em Companhia - Martha Medeiros )


Sobre meu medo de pessoas com esse comportamento estranho, caracteristica desses novos tempos...



terça-feira, 24 de novembro de 2015



Chega a ser cômico, se não fosse trágico... como algumas pessoas subestimam a inteligência de outras...



segunda-feira, 23 de novembro de 2015





Nem tudo está perdido se a gente se recolhe, voltar-se pra o que de menor nos compõe:
a mesma cama, a mesma casa, a mesma vida de sempre, as mesmas pessoas que nos conhecem desde sempre, ainda que superficialmente, o programa preferido, os livros, o pão, com manteiga e o café fresquinho, as pernas, as calçadas, as canções, o perfume das estações, o sol que insiste, a chuva que vem, os sonhos, o sono, o balanço do sono, os calores, os amores, as dores, as flores que ainda encontram espaço pra florescer, o amanhecer, o entardecer, e a noite, na janela, as estrelas que se alternam, os laços que se apertam, por solidão, por medo da contramão, o medo, conhecido, que nos protege do inimigo mais íntimo, o ser que não desiste de ir além, como se além preenchesse os vazios, os ecos, os vácuos, o labirinto do que sinto;
recolher-se do mundo no aconchego das coisas pequenas talvez seja, a única salvação.

(Be lins)






terça-feira, 10 de novembro de 2015



Minha força é teu desejo, meu corpo é teu anseio, minha vida é teu querer, senão me queres eu não sou.

-Vadinho -

( Dona Flor e seus dois maridos - Jorge Amado)



segunda-feira, 9 de novembro de 2015


"Quando amamos alguém não perdemos só a cabeça, perdemos também o coração. Ele salta para fora do peito e depois, quando volta já não é o mesmo, é outro, com cicatrizes novas. Ás vezes volta maior, se o amor for feliz; outras regressa feito uma bola de trapos, é preciso reconstruí-lo com paciência, dedicação e muito amor-próprio. E outras vezes não volta.
Fica do outro lado da vida, na vida de quem não quis ficar do nosso lado."



domingo, 8 de novembro de 2015



É bom mudar de casa, de janela,

arrumar de outra maneira as ilusões,

tratar de coisas puras como tintas

e sofás, pôr ordem entre os livros

e a vida, simular a liberdade.

Parece-nos possível voltar a acreditar

na mão que nos estende um pé de salsa,

na pechincha da beleza, quando passa

no poente da razão.

Apetece cometer uma loucura,

comprar um telescópio, decorar

o canto nono dos Lusíadas,

subir umas escadas do avesso,



pensar que nunca mais teremos frio.



(José Miguel Silva)



sábado, 7 de novembro de 2015


foi no eufrates a primeira vez. decidiram os deuses que a segunda fosse no avros.  a terceira, no volga.
entre cada hora, cem anos decorrem.
ele reconhece-lhe o olhar. ela, o sorriso.
escoados na areia do tempo, movidos nas rotas dos homens, descobrem, com espanto, com incredulidade, com maravilha, naquele encontro secular, a imortalidade do que têm.
do nada, tudo.
no instante, a eternidade.


( xilre )


( Abro páginas encontro espelhos )

sexta-feira, 6 de novembro de 2015


Danço para mim mesma
Danço com minha´lma
Danço para celebrar a vida
Que através de mim se espalha.

Exalto as Deusas
Movo a terra
Espalho vida
Desperto o encanto
E fascínio a todo canto.
Provoco mistério
Te tiro do sério.

Porque a arte, a magia e o mistério
Escondem-se sob minha saia
Mostram-se na minha dança
Que traduz a minha essência

Porque danço com as Deusas
Danço com as luas
Como as ondas dançam no mar
Como as nuvens que se exibem no ar.
Assim a dança me faz...

( Dança das Deusas - Carolina Salcides )

A cigana diz...






quinta-feira, 5 de novembro de 2015


"Eu não vou te dar conforto. Vou deixar você sujo do pó da estrada.
Vou jogar você no vento, na chuva, na noite escura e fria, e no sol escaldante.
Mas eu vou te dar os mais belos dias e as noites mais estreladas..."