domingo, 25 de outubro de 2015


Tentei me armar. Como se fosse para uma guerra. Em um lugar longínquo, ermo, e de temperaturas glaciais. Vesti todo tipo de agasalho. Peça sobre peça. E depois uma armadura. E mais armas. 
E me sentei a beira do abismo, sem saber qual seria a hora certa pra este incerto confronto.
Há quem chame de transparência. Há quem veja o despudor. Ou a nudez que não se cobre com vestes de guerra.
E você veio. Tuas horas não se contam. Teus passos não se ouve. Teus pensamentos não colidem. 
Teu controle não se perde. Tua vista tudo alcança. Teu poder não enfraquece. É tudo teu. O enredo. 
A razão. Todos os porquês.
E ainda o teu egoísmo. E aquele humor que retalha. Você não tarda nem falha. E não precisa de armas. Nem de fogo. Nem de água. Nem de um fôlego para descansar. Você guarda. Você monta guarda. Todos os lugares te são possíveis, e o impossível te cabe. Te veste.Te protege e te dota de sobrenaturalidades. É uma guerra impossível. 
Você veio. E lançou a isca. Previsível o andamento das peças. Um xadrez de mestre. Uma duas três jogadas e Xeque Mate. 
Eu caí com todos os meus peões no tabuleiro.





sexta-feira, 23 de outubro de 2015



Quando ela sorri
os olhos quase se fecham

são eles tentando descer
pra ver ela rir mais de perto

(Bruno Fontes)






quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Sobre esperar por alguém que ainda nem se conhece e que também sempre esperou só por você...


É você que eu quero encontrar quando virar aquela esquina depois do bar.
Seja para te ouvir cantando mais uma música que eu ainda não conheço, para contar da última garota que você namorou ou simplesmente para passar e te ver sorrir.
É o teu amor que eu vou querer quando chegar em casa. Porque o mundo inteiro vai saber que a gente se ama. Os mendigos, os cachorros na rua, as árvores mais altas, os lutadores de vale tudo e os chinelos na porta. Tudo ao redor vai saber que a gente se ama. É sobre você que eu leio nas poesias dos poetas que nem te conheceram.
(...) Quero beijar teus olhos, namorar você, casar com você e todas aquelas cafonices que o amor permite quando não vacila.
Eu volto todo dia para casa sem a menor ideia de onde você está. Mas eu tenho sempre a certeza de que é você que eu quero encontrar quando virar aquela esquina depois do bar.

( Camila Heloise )

segunda-feira, 19 de outubro de 2015



Se arrancarmos seus adornos, permanecerá sua pele
Se trocarmos sua pele, ficará seu sangue.
Se fizerem transfusão desse sangue, permanecerá o mais importante, imutavél, eterno: a alma cigana.

(Pedro Paulo Seródio Garcia)