terça-feira, 10 de fevereiro de 2015


Não que eles fossem especialmente diferentes, embora, de fato, fossem. Ela mais lembrava uma camponesa de algum campo florido da Provence, imensamente livre de conceitos, mas portadora de tão poucas malícias para os dias atuais...
Tinha dentro dela espaços reservados apenas ao que era leve e belo, como suas flores ou suas águas, e suas contas e suas miçangas e seus balangandãs de palavras bobas. Ele, por sua vez, era um selvagem. Se ela era livre, ele era o vento. Um viajante do tempo que se encaixaria em qualquer século das existências. Sua alma a ninguém pertencia, era resistente ao Amor, mas perguntava-se : _ seria capaz de resistir para sempre? NÃO.
Souberam-se, e desde então, pertenciam-se.
O paradoxo do impossível. Sem elos, nem amarras. Ele a levava em suas andanças, enquanto ela, o retinha em seus livres verdes campos. Pertenciam-se espiritualmente. Mundos distantes. Essências opostas. Antagonistas na vida. Amores de morte.
O tempo teria que parar por instantes para estarem juntos, então, não poderiam se encontrar em um lugar comum. Não eles.Um destruiria o outro. Seria uma única vez. Precisavam de uma luz cuidadosa, que os protegesse um do outro, que iluminasse a única coisa que tinham em comum: o Amor, o desejo de serem um, o outro.
Precisavam de um lugar mágico, marcado como portal, pois se quisessem, poderiam abrir mão da vida. Poderiam optar por partirem juntos. Como almas. Como Romeu e Julieta. E pagariam, como já pagavam, por não saberem como resistirem-se. Poderiam ficar e aceitar. Cumpririam seus carmas separados, na esperança de encontrarem uma possibilidade. Improvável possibilidade.
Aqueles instantes juntos seria a exceção concedida pelo Senhor do Amor, condoído com aquela paixão irrealizável.

(Be Lins)


8 comentários:

  1. Hola Frida, tu foto de hoy me parece de lo más tierna, transmite mucho. Me gustaría poder entender las historias que acompañan a las fotos, pero no veo en tu blog el traductor. Entiendo parte de lo que nos cuentas, pero no lo suficiente para dar sentido completo a las historias.
    Espero que te decidas a incorporar el traductor.
    Un beso.

    ResponderExcluir
  2. Frida..... parece um conto medieval, uma história de fadas....ambientado nas florestas mágicas de algum lugar mágico....
    Gostei muito!!!

    ResponderExcluir
  3. Ai o amor sempre com os seus eternos problemas...
    Um bom texto.
    Desejo que se encontre bem.
    Bjs.
    Irene Alves

    ResponderExcluir
  4. Belissimo texto sobre a complexidade do amor.

    Grande abraço, meu bem :)

    ResponderExcluir
  5. Oi, Frida!
    Uma história de amor nem sempre é escrita por letras iguais, do mesmo tamanho, certinhas...

    ResponderExcluir
  6. Muito bom o seu blog, estive a percorre-lo li alguma coisa, porque espero voltar mais algumas vezes,deu para perceber a sua dedicação em partilhar o seu saber.
    Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante.
    E se gostar e desejar comente.
    Que Deus vos abençõe e guarde.
    Abraço.Peregrino E Servo.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
  7. Por que no amor, há sempre estes terríveis desencontros?
    Parece que o amor vive do trágico e do consumível de sentimentos.
    Um perfeito conto de amor e dor.
    Beijo

    ResponderExcluir
  8. Um texto muito bem escrito, com alma e elegância!


    Saudações minhas!

    ResponderExcluir