terça-feira, 30 de dezembro de 2014



Quero de volta a emoção de ver o mar pela primeira vez, de sentir seu cheiro salgado estarrecer meus olhos e pasmar meu corpo inteiro. Quero o primeiro mergulho medroso, o fascínio inédito de suas ondas e o pavor dos caixotes que enchiam os olhos de areia. Quero de volta o medo quase racional da criança (acostumada à correnteza dos riachos) dissipando-se aos poucos no prazer insaciável de olhar e sentir simplesmente, de viver a experiência do primeiro contato com o infinito. Quero aquela inocência inaudita, aquela vontade desbravadora de mundo que a idade aprisionava; aquelas incertezas que eu desenhava na areia, os castelos que eu não quis construir. Quero tudo o que foi embalado pra viagem, mas não pôde chegar ao destino!

(Aíla Sampaio)



Estou voltando ao mar, e por la ficarei um tempo... mas desejo a vcs um ano de energias positivas... e que o universo diga "sim" a todos os vossos pedidos para o ano que se inicia... 

Saude, luz...e paz...


domingo, 21 de dezembro de 2014


O mais importante de tudo no Natal
talvez seja lembrar que quando a festa termina,
o Natal continua, lembrar de não fechar a porta
para TUDO que significa o Natal:

que é basicamente o AMOR

(Be Lins)



Um  Natal de paz para todos , é o que lhes desejo... e que com o ano que se inicia, aprendamos a arte de nos renovarmos... a cada dia...

Feliz Natal e um ano bom...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

 "martello batti, incudine statti"


Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço
Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo
Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna
Vou certo
De estar no caminho
Desperto

  (Martelo Bigorna)

domingo, 7 de dezembro de 2014


Tinha um jeito singular de fechar os olhos quando experimentava emoção bonita, coisa de segundos e coisa imensa. Era como se os olhos quisessem segurar a lindeza do instante um bocadinho, o suficiente para levá-lo até o lugar onde o seu sabor nunca mais poderia ser perdido. Eu via, olhos do coração abertos, e nunca mais perdi de vista o sabor desse detalhe. Porque quem ama vê miudezas com olhar suficiente pra nunca mais se perderem.

(Ana Jácomo)

sábado, 6 de dezembro de 2014


Descortine-se. Mesmo que isso pareça insano. Mesmo que não faça o menor sentido. Mesmo que pareça desatino. Calma.  Dá pra fazer de mansinho, sem causar muito dano, pode ser suave e terno, gesto que se faz pungente, urgente, saca?,  tanta gente se escondendo por trás das cortinas, a gente quer ver a tua vida por trás dos panos, dessas teclas, desses tempos insanos de tantos desenganos, equívoco seguir o rebanho, há que se ser autêntico ainda que isso custe o espanto. Maior o espanto abre-se _ quando.

Quando se experimenta o toque do pano. Desajeitado tatear. Descortinarei eu os meus tantos anos? E o medo do abandono? Porque é só por isso. Somente por isso que somos o que não somos. Que expressamos o que não acreditamos. Que rezamos e não esperamos. Que tropeçamos nos desenganos. Vamos amontoando coisas no cenário vazio, tudo parece tão frio, tão sem cheiro de mato, tão abandonado do fato, inato, de sermos chão, grão, coisa miúda, a  gente é  graúda só mesmo na encenação.

Quem seremos quando o pano cair? Porque ele cai. Certeza que ele cai. Uma hora ele cai. E aí a gente sai correndo catando os trapos, pra emendar como quem tampa ferida com esparadrapo, e tampa tudo, porque,  quem é capaz de amar as feridas?

Quem é capaz de amar a carência? quem é capaz de amar os estragos do tempo, os danos dos tropeços, o choro infantil daquele momento que não se apaga, a gente só se trava enquanto trava as cortinas num nó cego, é ousadia querer mostrar, ou ver, ou ser...

Ver. De verdade. Ver. E se espantar com a beleza que há do outro lado do que ninguém quer ver. A beleza não está naquele palco, baby. A beleza não está daquele lado, baby. A beleza não está ao alcance das suas mãos , baby. A beleza, a que se descortina na surdina de alguma esquina patinada por lágrimas que só se derramam se escondidas,_  ah a beleza, baby!, a beleza está em todo lugar onde seja permitido que as cortinas caiam, e que quando caídas, ainda assim, permaneçam corações...
(Be Lins)