quarta-feira, 29 de outubro de 2014


Quero alguém que salve
a minha parte mais doida,
quando acordo antes do dia.
Quando sou problema,
antes de ser saída.
Quero o tempo longe da espera,
Quero o sempre
mantendo nossa porta aberta.
Alguém que ganhe
com um silêncio,
a minha vida inteira.
 Quero o que vem inteiro.

(Pricila Rôde)


terça-feira, 28 de outubro de 2014


Chove
e tudo refresca
Multiplicam-se partículas
em ar fresco e renovado

Parece um começo de amor.

Colho umas gotas
e lavo meu rosto com chuva
e ao sentir o gosto da chuva que cai
re-descubro alguma coisa que parece VIDA

Líquida, vívida, fluída
Decidida de molhar mesmo quando me recolho
Lembra o amor, decidido de ficar mesmo quando tudo parece fora de lugar.

(Be Lins)


A arte mais poderosa da vida é fazer da dor um talismã de cura.

El arte mas poderoso de la vida, es hacer del dolor un talisman que cura, una mariposa renace florecida en fiesta de colores!

( Frida Kahlo )



sábado, 25 de outubro de 2014



Nos primeiros momentos eu entorno paciencia, paz, doçura.
Feito pote de mel que quebra
dentro e inunda. 
Gosto das paixões que arrebatam.
Primeiro a alma e, logo
 mais, as saias.

(Lidia Martins) 

"Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, 
por ter tido a doçura de pedir, não me deram."

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014



 "Dizem que sou depressivo. Mal passam os olhos sobre minhas palavras e acham que conhecem minha alma. Mergulhar é difícil. E nem todos têm coragem. Sabe o que eu penso sobre isso? Depressão é ficar rodeado por gente vazia e tentar encher seu vazio interior com o vazio alheio. Tenho repulsa de gente assim."

(Rafael João)


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

   
Era uma vez uma menina cujo coração batia mais rápido que o das outras pessoas.
Isso incomodava toda a gente.
Por causa do barulho.
O coração batia tão alto!...
Ela tentava explicar: «É um coração de pássaro... Eu estou no corpo errado!... Daí o coração bater tão rápido... 
Eu sou um pássaro...»
(...)
Pouco a pouco as pessoas foram-se habituando ao barulho do coração…
Acabaram mesmo por esquecê-la.
Ninguém se apercebeu do que se passava.
Também ela se habituava.
Começou mesmo a gostar do seu corpo
E sentia-se cada vez mais leve
Ninguém reparou como sorria, de olhos postos no céu.
E depois, um dia…
As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia.
 Mas uma coisa era certa, se ela partisse assim, ninguém se importaria. 

(Regina Pessoa)












segunda-feira, 20 de outubro de 2014

 Parto de mim...



 "O dia era grande. Daqueles sem agenda. Sem pés apressados. Sem olhos vigiando ponteiros. Acordei com a sensação de que o tempo era outra coisa. E a vida também. Com uma saudade que tinha feições familiares.
(...) A saudade era do ser que me fazia acreditar que eu não era uma turista num planeta estrangeiro nem uma sobrevivente de uma civilização extinta, como tantas vezes sentia. E me ensinava que toda vez que eu achasse que os outros precisavam de legendas para me entender, eu poderia recorrer aos idiomas que o coração entende. Um sorriso. Um olhar. Um abraço.
A saudade era do amor que aquele ser emanava e do qual eu era feita. Da seiva que permeava todo o jardim. Que era o meu corpo, por trás da roupa de gente que eu usava e da qual precisava cuidar com o carinho com que se cuida da roupa do amado, embora raramente eu lembrasse disso. Da porção em mim que era mágica e sábia. Humilde e serena. Que me intuía. Que me ajudava a desenhar o meu caminho. Encontrar o meu acorde. Escrever a minha história.
A saudade, terna e arrebatadora, era daquilo em mim que tinha um compromisso com a vida, ainda que eu fizesse de conta que o havia esquecido e só honrasse os compromissos que o meu coração nunca assumiu. Daquilo que não se importava com os porquês. Que se desprevenia. Que se enamorava. E que se olhasse para o azul do céu mil vezes se emocionava em todas elas, reverenciando o pintor. Que me lembrava de que eu devia saborear a paisagem com os companheiros de viagem, mesmo sem saber aonde o barco me levaria. E de que se chegasse a tormenta, eu não deveria esquecer, na aflição, que eu não era o barco, e, sim, o mar.
Naquele dia acordei com saudade e com medo. Nem mais casulo nem vôo ainda. Sabia que enquanto eu não voltasse a dar a mão àquele ser que me habitava, enquanto eu não voltasse a dançar com ele, continuaria a me sentir longe de casa, separada da minha gente, fora do meu habitat, perambulando, confusa e assustada, no mundo árido e sem cor que desenhei quando larguei a sua mão.
Para fluir comigo, a vida pedia que eu soltasse o medo e me entregasse. Que dissesse sim. Que acreditasse nela. Eu não sabia como fazer, mas sentia, entre as contrações, que ela estava fazendo por mim, através de cada experiência que eu atraía para o meu caminho.
Naquele dia, grande, acordei com a sensação de que o tempo era outra coisa. De que a vida era outra coisa. E eu também."

(Ana Jácomo - Parto de mim)



sexta-feira, 17 de outubro de 2014



"Somos um planeta vivo, Sofia! Somos um grande barco navegando ao redor de um sol incandescente no universo. Mas cada um de nós é um barco em si mesmo, um barco carregado de genes navegando pela vida. Se conseguirmos levar esta carga ao porto mais próximo, nossa vida não terá sido em vão"

  - Jostein Gaarder in O Mundo de Sofia -


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

 SIRIA -


Diga-me, em qual local do mundo há vencedores numa guerra? O conflito só existe porque houve fracasso, seja o resultado que ele tiver. Sim, minha querida, os seres humanos são os únicos a compreenderem-se por palavras. Desenvolvem retóricas, dialéticas, gramáticas, filosofia e ética. Produzem os mais diversos tipos de linguagem. Estudam à exaustão a diplomacia e veem-se incapazes de chegar a uma solução pacífica. Os medos, os anseios, a ganância, a soberba, a hybris, a riqueza ou a pobreza impedem que compreendam seus iguais. A nossa forma de ‘inteligência’ fez com que nos transformássemos em predadores. Algozes de nós mesmos. Ainda não consigo entender o grau de loucura com que uma pessoa se reveste para, seguindo ordens de superiores, matar seu igual ou atentar contra a vida de alguém, não importa o quanto este outro seja diferente. Autodefesa? Duvido. A maioria das guerras foram decididas por interesses econômicos. Então, quando há o primeiro ferimento e a primeira morte, não importa se de um soldado ou de um civil, as partes envolvidas se tornaram perdedoras. A vida tem um preço inestimável, imensurável. Nada justifica a sua perda. Desse modo, desconheço qualquer vencedor na Segunda Grande Guerra. Todos tiveram baixas. 
 Todos sofreram muito.

( Ana Paula Bergamasco in Apátrida )

… Como se acabasse de descobrir algo que estivesse obrigado a saber desde muito antes, murmurou triste, é desta massa que somos feitos? Metade de indiferença, metade de ruindade”.
. José Saramago in Ensaio sobre a Cegueira .



Choro toda vez que vejo essas e outras fotos da guerra na Siria...
da familia desamparada, do cristao crucificado, das crianças mortas... 
Choro por eles... choro por mim... por pertencer a essa raça chamada "humana"...
 E me pergunto, essas atrocidades - pq?...  Em nome de que?... de quem?...








sábado, 11 de outubro de 2014


E tudo estava em silencio...
Ouvi atras de mim  a voz angelical perguntar: - O que desejas?
Nao tive coragem de responder, fechei os olhos e pedi com toda a força do meu coraçao: - Me ajude...
Um tempo se passou... entao a voz disse num tom firme: - Cuidado... sera feita a tua vontade...
Senti um vento e o barulho de asas que passavam por mim...
Tudo voltou a ficar em silencio...
Meu coraçao silenciou...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"Em vão procuras
um guarda-chuva
que te leve
para casa.
Como se o importante
fosse a chuva
e não a fuga
deste ardor
que te consome."

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

 Sobre reencarnações...



A primeira vez que sonhei com ele era uma garotinha de uns 10, 11 anos... nao dei importancia ao sonho, nao sabia que ele viria se repetir com uma frequencia assustadora, desde essa primeira vez e por muitos anos ele nao deixaria de frequentar meus sonhos...
Quando realmente dei importancia ao fato e resolvi falar com minha mae, eu ja estava com 12 anos, ela brincou dizendo que deveria ser algum menino que eu estava interessada e havia transportado esse interesse para o sonho, criando um rapaz ficticio, custei a convece-la que nao, que eu sonhava com esse homem a quase 2 anos... ela achou estranho, mas nao deu importancia...
Se passaram mais 2 anos, eu ja estava com 14 e tinha começado um namorico com um menino da escola, os sonhos começaram a mudar, em meus sonhos ele se tornava mais agressivo, ate um dia que acordei no meio da madrugada gritando, encharcada de suor e chorando, ele havia me prendido em um lugar que parecia uma moradia medieval... apos esse sonho tudo mudou, tinha medo de dormir, comecei a ter febre sempre ao cair da tarde... minha mae uma cigana espiritualista... casada com um homem totalmente catolico e conservador, achou que era hora de enfrentar o preconceito de meu pai e buscar ajuda na espiritualidade de seu povo... e assim foi feito...
Ao procurar essa ajuda, foi me dito que esse homem com o qual eu sonhava, era alguem de outras vidas, e que ja vinhamos juntos em muitas reencarnaçoes, e que eu orasse para meu guia espiritual me proteger, por causa da agressividade que ele demonstrava nos sonhos,  mas... na verdade nao me lembro de mais nada que foi dito que pudesse ser esclarecedor... so sei que realmente nao tive mais sonhos em que ele se comportava de modo agressivo... a febre que sempre tinha a noite foi cedendo... mas ele continuava em meus sonhos frequentemente...
Isso se repetiu ate o dia do meu casamento... a partir do dia que me casei nunca mais sonhei com ele... vez ou outra lembrava daqueles sonhos e ria achando que tudo poderia ter sido fruto de minha mente...
O pq disso, nao saberia explicar... mas nao dizem que nossa mente tem um poder que desconhecemos?
Mas... algo aconteceu que iria de novo mudar meus pensamentos...
Chegou um feriado grande e resolvi que precisava de ferias, nem que fosse apenas uma semana, procurei uma praia deserta em um resort, queria me isolar de tudo, descansar... desliguei celular, internet, desliguei de mim mesma...
Mas no meio da semana, em uma noite, no começo da madrugada... acordei assustada, eu tinha voltado a sonhar com ele, a primeira vez que acordei, nao me recordava direito do sonho, tudo estava confuso, mas sabia que era ele... levantei, tomei uma agua e voltei a dormir, e la estava ele outra vez no sonho... acordei pela segunda vez, agora ja estava quase amanhecendo, fui ate a porta da varanda que dava para o mar, fiquei um tempo sentindo a brisa e o cheiro... voltei a me deitar, sonhei de novo e agora me lembrava perfeitamente, no meu sonho eu estava em frente ao mar, na praia em frente ao hotel em que estava hospedada, estava sentada, sozinha... a praia estava totalmente deserta, desviei o olhar do mar, distraida olhei para o lado... ele vinha caminhando em minha direçao, estava com um short branco, carregava uma blusa azul nas maos... eu comecei a chorar compulsivamente e acordei assim... olhei o relogio, estava no meio da manha... levantei me sentindo muito mal, tendo arrepios de frio, estava com a temperatura em 38...
Peguei minhas coisas de praia e fui procurar meu filho que estava com a baba... ela ja estava entrando com ele por causa do sol, no nordeste o sol parece mais forte...
Resolvi entao caminhar... apos o feriado, a praia estava quase deserta...
Caminhei bastante... voltei, resolvi me sentar na areia em frente ao hotel... acho que fiquei olhando o mar por um bom tempo... ouvia um pouco distante a algazarra de tres crianças que estavam com o pai  fazendo esculturas na areia... pensei no meu filho, senti uma paz enorme... aquele vento gostoso vindo do mar... olhei para o lado... e la vinha ele... andando devagar, short branco, como no meu sonho... fiquei paralisada, meu coraçao batia tanto que eu podia ouvir o barulho que ele fazia... bem ali... um pouco distante... o homem que eu tinha sonhado a vida toda... eu nao conseguia desviar o olhar, nao conseguia respirar... tentei nao entrar em panico... fechava e abria os olhos, em uma tentativa de que aquela cena sumisse e fosse fruto da minha imaginaçao... nao sei quanto tempo durou isso tudo, mas quando ele se aproximou mais, tive uma reaçao totalmente inesperada... tive muito medo, me levantei, peguei meu chinelo na areia e corri literalmente para o hotel, me tranquei no quarto o dia todo... so voltei a sair, na noite daquele dia...
Ate imaginei que ele pudesse estar no hotel, ja que era uma praia frequentada praticamente por quem se hospedava no resort ... mas nao o vi...  resolvi ficar mais nas dependencias do hotel... nao caminhei mais na praia sozinha... nao tive outro sonho... os dias passaram, voltei para minha cidade e para minha realidade...

So uma pergunta ficou ecoando em minha cabeça... o que aconteceu naquela praia, foi real?  Em algum momento me deparei com o meu passado?




quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"Espero, que apesar de todos os meus defeitos, apesar de todos os erros, eu mereça as coisas boas. As pessoas certas. Os caminhos floridos. Os dias ensolarados. Recomeços cheios de amor. Que eu mereça o amor. Porque, agora, eu estou fazendo o melhor que eu posso. Do melhor jeito que eu sei fazer. E eu espero que a vida possa ser linda apesar de todos os meus pesares. Posso não ter feito o melhor, mas fiz tudo para que o melhor fosse feito"