sábado, 6 de dezembro de 2014


Descortine-se. Mesmo que isso pareça insano. Mesmo que não faça o menor sentido. Mesmo que pareça desatino. Calma.  Dá pra fazer de mansinho, sem causar muito dano, pode ser suave e terno, gesto que se faz pungente, urgente, saca?,  tanta gente se escondendo por trás das cortinas, a gente quer ver a tua vida por trás dos panos, dessas teclas, desses tempos insanos de tantos desenganos, equívoco seguir o rebanho, há que se ser autêntico ainda que isso custe o espanto. Maior o espanto abre-se _ quando.

Quando se experimenta o toque do pano. Desajeitado tatear. Descortinarei eu os meus tantos anos? E o medo do abandono? Porque é só por isso. Somente por isso que somos o que não somos. Que expressamos o que não acreditamos. Que rezamos e não esperamos. Que tropeçamos nos desenganos. Vamos amontoando coisas no cenário vazio, tudo parece tão frio, tão sem cheiro de mato, tão abandonado do fato, inato, de sermos chão, grão, coisa miúda, a  gente é  graúda só mesmo na encenação.

Quem seremos quando o pano cair? Porque ele cai. Certeza que ele cai. Uma hora ele cai. E aí a gente sai correndo catando os trapos, pra emendar como quem tampa ferida com esparadrapo, e tampa tudo, porque,  quem é capaz de amar as feridas?

Quem é capaz de amar a carência? quem é capaz de amar os estragos do tempo, os danos dos tropeços, o choro infantil daquele momento que não se apaga, a gente só se trava enquanto trava as cortinas num nó cego, é ousadia querer mostrar, ou ver, ou ser...

Ver. De verdade. Ver. E se espantar com a beleza que há do outro lado do que ninguém quer ver. A beleza não está naquele palco, baby. A beleza não está daquele lado, baby. A beleza não está ao alcance das suas mãos , baby. A beleza, a que se descortina na surdina de alguma esquina patinada por lágrimas que só se derramam se escondidas,_  ah a beleza, baby!, a beleza está em todo lugar onde seja permitido que as cortinas caiam, e que quando caídas, ainda assim, permaneçam corações...
(Be Lins)



11 comentários:

  1. Esse texto é inspirador, e libertador. =D
    Olha a propaganda do Edmundo com a Malu Mader: https://www.youtube.com/watch?v=CCAHlDwHUwg

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  2. Um texto fabuloso.
    Gostei de o ler.
    Tem um bom fim de semana, querida amiga Frida.
    Beijo.

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  3. Eu gostava dessa propaganda. Era para lembrar. :)

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  4. Eu torço para o Vasco no Rio, e, quando morava lá, vi o Edmundo jogar, e achava bom. O comercial foi muito bem pensado.
    Excluí alguns comentários, porque poderiam gerar mal-entendido. O que fiz foi uma homenagem ao Edmundo.
    Quando for uma dúvida desse tipo, pode escrever pro meu e-mail.
    :)

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  5. Nao era uma duvida, apenas, achei que estava querendo dizer algo sobre o Edmundo, respondi aqui pq nao me importo com quaisquer mal-entendidos... ou com pessoas que pensam em entender mal...

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  6. Eu me importo, pois não quero ofender ninguém, o Edmundo, por exemplo.
    :)

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  7. Mas vc nao o estava ofendendo, pelo contrario, disse ele ser animal dentro dos campos, como todo mundo sabe... e eu ainda confirmei dizendo realmente ele ser animal no campo e nao fora dele... bom... tudo bem...

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  8. FRIDA,

    isto retrata exatamente as angustias, incertezas, ansiedades,vontades,limitações e enfim, a vida mais cheia ou menos, de esperanças e objetivos!

    Se viver fosse fácil, seria tão enfadonho e se o cair dos panos não acontecesse, mais chato ainda,pois, as quedas elevam se os panos encobrem maravilhas escondidas.

    Gosto de descobrir,descerrar,desnudar,invadir como litigante da paz abrindo cortinas das janelas que a maioria fica só contemplam a sua moldura e eu esforço-me sempre para ver através dela.

    Através dela, do que passa lá fora, das sombras ou corpos concretos que desfilam com a natureza ao fundo e me inspiram,excitam,provocam-me.

    Já as simples cortinas tornam monótonas as nossas vidas.

    Vivo fustigando o desconhecido, provocando as dobras do tempo, desafiando e querendo constatar as leis da gravidade que, sustentam ou fazem desabar aquilo que, encontro e dou de cara!

    Deveria ter nascido na época das grandes descobertas,das grandes e heroicas navegações,daqueles que viviam singrando mares desconhecidos com emoções concretas de avistarem novas terras,novos corpos mesmo que selvagens, novas realidades mesmo que inóspitas.

    Rotinas conhecidas, matam a libido, desconcertam as fantasias,roubam nossas necessidades de nos aproveitarmos de cada segundo para elaborarmos um outro muito melhor!

    Gostaria.

    Um abração carioca.

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  9. Una entrada muy interesante amiga mia!!

    Gracias por compartir

    Besitos mi niña

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  10. Descortine para viver na sua beleza de ser o que se é.
    Podemos sim passar por todos os atos, mas é certo que mecanicamente
    o pano cai e a crueza do que se é, fica evidente.
    Um belo texto com toda sua reflexão embutida antes do descortinar.
    Gosto de suas escolhas bem como de suas fantásticas ilustrações.
    Mais um ano juntos de bela interação, que bom.

    Um abração com carinho amiga.
    Beijo

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  11. Vez ou outra, todos nos escondemos atrás de véus. A insegurança o proporciona. Mas quando se olha com o coração, todos os seres podem exibir suas cicatrizes, pois elas não afetarão o sentir. Bjs.

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