domingo, 24 de agosto de 2014




 Perdi os Meus Fantásticos Castelos  

Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"



9 comentários:

  1. Uma escolha fantástica.

    Penso que ela não perdeu nada, apenas nos deixou tanto.

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  2. Incrível Florbela, amiga! É realmente difícil atravessar a vida e manter os nossos castelos. Como estás, Arco-Íris? Boa semana!

    ResponderExcluir
  3. Boa tarde, os poemas de Florbela Espanca são profundos e sempre atuais, depois de perdermos tudo, respiramos fundo e partimos para a conquista.
    AG
    http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
  4. A foto é linda e este poema da Florbela também....e eu até o desconhecia !

    Minha querida, abraço caloroso

    ResponderExcluir
  5. A coragem contém em si mesma, o poder, o genio e a magia.”

    Goethe

    beij0

    ResponderExcluir
  6. Perde-se sonhos e castelos. Sente-se vazias as mãos... Mas estão elas cheias de vivências. Florbela, sempre merecidamente aplaudida. Bjs.

    ResponderExcluir
  7. Profundamente belo.
    Amei!

    bjo e luz
    L.L.

    ResponderExcluir
  8. Assim nos posicionamos entre as perdas e danos e sentimos o efêmero.
    A vida é uma sucessão e nossas mãos a bateia do sonhos.
    Soneto da maraca Florbela.
    Belíssima escolha amiga.
    Beijos

    ResponderExcluir