quinta-feira, 24 de outubro de 2013



A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.
Pisca e mama;
Pisca e anda;
Pisca e brinca;
Pisca e estuda;
Pisca e ama;
Pisca e cria filhos;
Pisca e geme os reumatismos;
Por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre – perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”
. Monteiro Lobato in Memórias de Emília .

 Definiçao perfeita para depois da morte... se vira hipotese...


2 comentários:

  1. Não conhecia o texto do Monteiro Lobato. Gostei muito, é a realidade. Sobre a hipótese... creio mais que não existe vida depois da morte. Posso estar enganado, mas acho quase impossível haver algo além. Ótimo post!

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  2. Lindo isto.
    Viver nada mais é do que um pisco.
    Analogia interessante e profunda.
    Belíssima partilha.
    Bjo.

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