quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

 Sobre permanecer
Já notou que você tem de passar por momentos dificéis para perceber que algumas pessoas não estão do seu lado? Bem real, né? A verdade é que muitas pessoas passam por nossa vida, mas poucas ficam.E poucas ainda são os que ficam quando as coisas não estão facéis pra nós. Quando a gente não precisa só de ombro, mas quase que do corpo inteiro. Quando a gente necessita escutar uma voz do outro lado bem forte, dizendo que "tudo bem, vai passar, você já passou por muitas e superou." Quando a gente precisa de alguém que acredite na gente, sabe? Naquelas horas em que nem mesmo a gente acredita muito. Alguém que entenda que braços que envolvem são mais do que mãos estendidas, e ajudam a silenciar a dor. Que pequenos ( mas grandes gestos) são capazes de nos tocar mais do que multidões de palavras. Alguém que tenha coragem suficiente para permanecer e que faça a gente sentir-se importante.E sabe qual é a parte boa disso tudo? É que pode até ter mais pessoas do lado contrário do que a gente imaginava. Mas quem fica do nosso lado, quem nos suporta, quem nos aguenta, vale a pena.
(Léia Mara)


Vendo esse texto hj me fez refletir em tudo que vivi nesse ano que passou, foi um ano de testes para mim, fui provada em todos os aspectos... na fé, no amor, na solidariedade, nas amizades, em tudo... um ano de envelhecimento secular em apenas 365 dias... e chorando fui recordando algumas cenas... principalmente as dos hospitais... de corredores frios, interminaveis, impessoais.... de pessoas que como diz o texto nao me abandonaram... de outras que conheci ao longo dessa maratona... Duas cenas ficaram gravadas com muita força na minha cabeça e coraçao, e cada vez que recordo me emociono de novo como se estivesse acontecendo... uma foi no corredor de espera da sala de cirurgia, eu sozinha com a cabeça baixa , um milhao de pensamentos... nunca me senti tao so como naquela hora, acho que nunca mais vou sentir aquela sensaçao de impotencia e solidao... nem vi ele se aproximando tao concentrada eu estava, so senti uma mao fazendo carinho na minha cabeça, e quando levantei os olhos ele estava la, nao disse uma palavra, so sorriu e eu entendi... acontecesse o que acontecesse ele estaria comigo, eu ja tinha alguem para dividir a dor.... olhei aquela roupa verde que ele estava usando e me tranquilizei, ele faria o que estivesse ao alcance dele....e sem dizer nada ele entrou na sala de cirurgia... deixando atras dele uma pessoa mais reconfortada... mais tranquila... menos so...
Outra cena... um exame, o mais dificil e terrivel de todos ... eu estava desorientada...  nao podia dividir com ninguem o que estava acontecendo... pensei: Sou eu e eu, entao seja firme... seja firme...
A enfermeira pediu que eu esperasse em uma salinha... foi ate a porta e voltou... olhou para mim, perguntou se ninguem estava comigo e quando eu disse que nao, eu achei que ela fez uma cara de pena...  eu perguntei se de onde eu estava poderia ouvir os gritos de dor... ela disse que sim, mas que eu nao me preocupasse, tudo ia correr bem... prometeu que assim que tudo tivesse acabado me chamaria.... entao comecei a tentar mudar os rumos dos meus pensamentos... comecei a pensar no meu filho , mas fui ficando mais nervosa... quanto mais eu tentava disciplinar meus pensamentos mais nervosa eu ficava, comecei a andar de um lado para o outro, mas meu coraçao começou a bater em uma velocidade impressionante, me faltou o ar e pensei que nao podia desmaiar, nao ali naquela hora sozinha, acho que era o panico, ou a primeira crise da sindrome do panico que viria a desenvolver mais tarde... so sei que no meio daquilo tudo, as coisas rodando, eu tentando respirar... vejo na porta meu amigo... todo atrapalhado do jeito que ele é... perguntando: Cheguei atrasado? O que foi? Vc nao vai me dar trabalho nao ne? Respira... respira...RESPIRA  P****...  e quando ouvi essa frase e aquele jeito todo meio estabanado dele... eu pensei: Agora estou em casa, nao estou mais so, foi como um balsamo... e realmente consegui respirar... e ate hj nao perguntei como ele soube daquele exame... ele tbm nao disse nada... apenas ficou do meu lado o tempo todo quieto e quando acabou apertou minha mao com muita força e foi embora so dizendo que estava atrasado para uma reuniao... foi o ato mais solidario talvez nisso tudo que vivi... pq sei o quanto para ele é dificil lidar com emoçoes quando envolvem situaçoes dificeis...ele passou por cima dele mesmo, de um bloqueio que ele tem, para estar comigo, para me ajudar quando precisei...
Bom... houve outras pessoas que falavam comigo todos os dias,  apenas para dizer que se eu precisasse nem que fosse so para chorar que eles estavam la... poucos... tenho muito poucos amigos... para falar a verdade... apenas dois... mas descobri colegas que do jeito deles, muito contribuiram para eu pensar que ainda existem pessoas que se preocupam de verdade... tentam realmente ajudar... amenizar a dor alheia...
Esse texto hj mexeu comigo... mas... de tudo o que passou, em todos os setores da minha vida, acho que de certa forma... sai desse ano uma mulher ... diria... nao mais forte... pq sinceramente nao sei mais como definir o que é uma pessoa forte... pq enfrentei tantas coisas e na maioria delas sozinha e me achei tao fraca... tinha horas que pensava que nao ia conseguir... que eu era uma merdinha que nem conseguia parar de chorar toda hora... acho que diria... que sai desse ano... mais "de bem" comigo mesma... pq de certa forma... mesmo com todas as minhas fraquezas... inseguranças...  eu estava la... com todos os sentimentos intensos, medo,  tristeza, dor... eu estava la... nao fugi de nada e nem de  mim mesma...
Meus amigos sabem que eu os amo... e hj sei que tbm sou amada por eles... isso é o mais importante... a vida ta ai... mais outros tantos dias virao... e nunca sabemos o que esses dias trazem com eles, eu mais do que ninguem sei disso...
Mas... sei la... acho que aprendi que de alguma forma... o mais importante é o carinho...sao os sentimentos verdadeiros... o resto?...bom...o resto se adapta a tudo... o mais importante ainda é o amor... seja ele como for...

2 comentários:

  1. Oi, doce Frida!

    Gostei muito mais do teu texto, do teu desabafo do que do texto de Léia Mara. Pode acreditar, porque, você já me "conhece", um pouco.
    Você precisa de pôr cá pra fora, como se faz no Psicanalista, todas essas suas FAÇANHAS.
    Não interiorize TUDO, sozinha. Você não é de ferro. Tem um coracão, que nem passarinho, mas, que, devido às circunstâncias da própria vida, se quer fazer, se torna de leão.

    Tem poucos amigos, mas, eles estavam lá no momento, no momento em que precisou de uma festa, de um mimo. É bom, assim.

    Gostava de estar junto com você nessas alturas.
    AMIGO É ISSO MESMO: ESCUTAR, GUARDAR E PARTILHAR.

    Obviamente, que você, minha querida, enriqueceu, moralmemnte, nesse ano que passou, com todos esses acontecimentos VIVIDOS NA PRIMEIRA PESSOA E A SÓ!

    És uma menina/mulher com todas as letras, mas que precisa tanto de uma mão amiga!

    Eu sei que você dificuldade em falar de si própria e dos seus problemas, mas, precisa mudar, um pouco, sua forma de ser, de atuação.

    QUE SE DANE A FOFOQUICE, A NÂO ACEITAÇÃO E O APONTAR O DEDO.

    E QUEM QUISER, QUEM FOR CAPAZ, QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA.

    Estou aqui, com você.

    Beijos e um grande abraço da sua amiga Luz.

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  2. Desabafar faz um bem enorme e você mostrou sua dor com sensibilidade, mostrando gratidão por quem, superando as próprias limitações, esteve ao seu lado. Hospital já é um lugar que julgo triste e fica ainda mais sombrio quando se está só. Há muito espaço para pensamentos, medo, insegurança. E tudo isso desaparece no instante em que encontramos alguém que, mesmo em silêncio, nos conforta com o olhar. Percebo que teve um ano difícil. Mas se está aqui, contando isso, certamente já se sente mais forte, mesmo sem o perceber. Bjs.

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