segunda-feira, 27 de agosto de 2012




Ela queria ir a lua. Trancaram-na num hospício. Fecharam as janelas. Disseram que era longe demais. Furada demais. Inconstante demais. Disseram para deixar de ser lunática, problemática, democrática.  Mandaram colocar os pés no chão. Mas ela não aguentava mais. Não suportava mais a gravidade. A disparidade. A humanidade. Precisava ir a lua. Não sentir o peso do mundo nas costas. Não ver mais o tempo passar. Encontrar S. Jorge (....) e o Dragão.

domingo, 26 de agosto de 2012

E ainda, contudo e todavia... o amor  sempre sera o melhor dos sentimentos ... apesar "de"...
"Amor de Papelao" que o diga...


E a vida segue...
E tudo muda... sentimentos... ficam as lembranças...
Isso que aconteceu...a musica que recebi com a mensagem, que suscitou recordaçoes... me fez lembrar de um texto que vi uma vez e que fala sobre pessoas que passam em nossas vidas pq em algum momento nossos caminhos tinham que ter se cruzado... compara nossa vida terrena a uma viagem... um belo texto...




"Há algum tempo, li um livro que
comparava a vida à uma viagem de trem.
Quando nascemos entramos nesse trem
e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos,
estarão sempre nessa viagem conosco; nossos pais.
Infelizmente, isso não é verdade.

Em alguma estação eles descerão e nos deixarão
órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível...
Mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes
e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.
Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos!
Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio.
Outros encontram nessa viagem, somente tristezas.
Ainda outros circularão pelo trem,
prontos para ajudar a quem precisa.
Muitos descem e deixam saudades eternas,
outros tantos passam por ele de uma forma que,
quando desocupam seu assento, ninguém nem sequer percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são tão caros,
acomodam-se em vagões diferentes dos nossos.
Portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles,
o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos
com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles...
Só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado,
pois já terá alguém ocupando esse lugar.
Não importa, é assim a viagem: cheia de atropelos,
sonhos, fantasias, esperas, despedidas...
Porém, jamais retornos.
Façamos essa viagem então, da melhor maneira possível,
tentando nos relacionar bem com todos os passageiros,
procurando em cada um deles o que tiverem de melhor.
Lembrando sempre que, em algum momento do trajeto,
eles poderão fraquejar e provavelmente
precisaremos entender isso, porque nós também
fraquejaremos muitas vezes e, com certeza,
haverá alguém que nos entenderá.
O grande mistério afinal é que jamais
saberemos em qual parada desceremos,
muito menos nossos companheiros,
nem aquele que está sentado ao nosso lado.
Eu fico pensando, se quando descer desse trem,
sentirei saudades... Acredito que sim:
Separar-me de alguns amigos que fiz nessa viagem;
Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos.
Mas me agarro na esperança de que, em algum momento,
estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar
com uma bagagem que não tinham quando embarcaram...
E o que vai deixar-me feliz será pensar
que eu colaborei para isso.
Façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem da vida."

(O Trem da Vida - Silvana Duboc)


Vc recebe uma mensagem...
Tres da manha ...
Lembranças...
Brigas, sorrisos... vinho, parede suja... estrada escura, curva... Insegurança, segurança... parque, mar, serra... 
Gritos, palavras doces... porta batendo, porta se abrindo... Brincadeiras iguais de criança, choro compulsivo...
Te da  vida, tenta te tirar a vida... te enfeita, te rejeita...
Sangue, quer um pacto, promessas...
Janela do carro, um desenho no vidro, uma silhueta sumindo, desespero...
Nuvens no ceu, ondas no mar, areia...
Telefone que nao para na noite, na madrugada, no amanhecer... Agonia, morte... felicidade, vida... odio, amor...
E em um dia, o fim...

Vidas que seguiram... com acontecimentos tao iguais... tao longe... e acontecimentos tao impressionantemente iguais...

E vc re(pensa)  a vida... como é isso de viver... de sentir...
Como é isso?



"Me dá a mão
Me leva embora
Passou da hora, já bebi demais"



Telefonemas... mensagens... pombo correio... Codigo Morse... Sinais de fumaça... Tambor... qualquer tipo de comunicaçao deveria ser terminantemente proibida as tres da manha...

 

 

sábado, 25 de agosto de 2012


 Quantas vezes tentaram adivinhar o que sentíamos, e erraram.
Julgaram nossas ações, e erraram.
Tiveram certeza sobre nossos propósitos, erraram.
O que somos de verdade e o que queremos de fato, só nós sabemos.
Só nós.- Sós.

(Martha Medeiros)



“Você se sente em casa dentro do seu próprio corpo?
Muitos não passam de hóspedes de si mesmos…”




Martha Medeiros


Dizem que as pessoas verdadeiramente ricas são aquelas que nada desejam. Então eu era a nova milionária da cidade.



Martha Medeiros

terça-feira, 14 de agosto de 2012




Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.
 
 
 
 
Do mestre... sempre ele... Neruda (in Cem Sonetos de Amor) 

 
(abro paginas encontro espelhos)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012





Às vezes escondo-me no corpo e ninguém me vê.
As pessoas falam comigo e não notam que eu não falo com elas.
Posso até dizer algumas palavras,
posso até exprimir-me num longo discurso,
mas a verdade é que não falo com elas.
Estou escondido algures no meio do meu corpo.


 (Gonçalo M. Tavares)


Ficamos quites, o tempo e eu. Eu frente a frente com seu estranho espelho, com que me reflete e transforma. O tempo, às vezes, também me sorri. Galante, sussurra-me que eu confie. Faz juras de sempre e nunca, pactos de agora em diante, medidas de não passar. Diz que quer envelhecer comigo. Diz mais bonito: que quer envelhecer em mim. Caio de novo na sua lábia. Aceito o tempo. Pede, masculino, que eu cuide bem do que faço dele. E promete, provedor, que se encarregará de tudo quanto fará de mim.
(Roberta Mendes)

hesito muito antes da palavra.
porque um precipício se abre nela
e não tem sentido,vibra apenas.
porque pode ser a morte
ou o nascimento para um lugar
de cores e fadas e barcos de sol.
porque me doem as mãos
cada vez que tento segurar
o mundo em traços redondos quadrados.



por isso te digo:hesito e morro e nasço.
e corro para a rua com a força de quem
vai anunciar gritar chamar dizer.
mas lá fora sorrio apenas
enquanto caminho para um banco
de jardim, devagarinho,
como se por um momento
eu soubesse o nome de tudo
e tudo tivesse o mesmo nome.
(Vasco Gato) 

(abro paginas  encontro espelhos)

 Excesso e Escassez

Abriu os olhos, virou-se sobre o ombro.Ela estava lá, mas não era ela. Não, não era. Não era a última, nem a penúltima, nem aquela outra que ali estivera.Tampouco seria a próxima. Em sua coleção de corpos e prazeres, perdera a conta de quantas se deitaram com ele. Pela sua cama passaram várias, sob seus lençóis dormiram muitas. E  nesse jogo de sedução barata e frívola, ocupava-se em administrar a efemeridade de seus relacionamentos superficiais. Divertia-se com o excesso, com o volume de mulheres das quais extraia prazer. Por outro lado, driblava a escassez de um coração desabitado, desmobiliado, desabilitado para o amor. Mas, gostava dessa vida - orgulhava-se de sua masculinidade e dos gols que marcava contra si mesmo.

(Fragmentos d'Amélie)


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

já não estás só





Tocas um corpo, sentes-Ihe o repetido tremor
sob os teus dedos, o cálido andamento do sangue.
Observas-Ihe o lânguido amolecimento,
as suas sombras corporais, o seu desvelado esplendor.
Não há palavras. Tocas um corpo; um mundo
enche agora as tuas mãos empurra o seu destino.
Estira-se o tempo nos pulmões
silva como um chicote rente aos lábios.
As horas, o instante, detêm-se,
extrais aí a tua pequena parcela de eternidade.
Antes foram os nomes e as datas.
a história tão clara e lúcida de dois rostos distantes.
Depois aquilo a que chamas amor,
talvez se transforme em promessa arrancada,
muro erguido que pretende encerrar
aquilo que só em liberdade pode ganhar-se.
Não importa, agora nada importa.
Tocas um corpo, nele te fundes,
apalpas a vida, real, comum.

Já não estás só.




Juan Luis Panero

Mas quando chegas

 
 
De novo o mar que espero
sentada à janela que dá para as rosas.
Que dá para todas as ruas que passei
com os teus passos. Para a estrada
onde virámos a cabeça para não ver
o homem esvaído no chão.
Depois comemos na casa de um amigo,
bebemos e falámos como se a vida fosse eterna.
À volta a estrada estava limpa, sem sinais
de sangue. As luzes sobre o mar nas duas margens
e a tua mão na minha perna. Lá no céu
um homem esventrado procura as suas asas.
Nada sei de anjos. Eu que espero o mar todos os dias
acredito na rotação da terra e na lei da gravidade.
Mas quando chegas o corpo não tem peso
e as palavras voam em redor de nós
alagadas em suor. E vem o mar.



Rosa Alice Branco
 
(Abro paginas encontro espelhos)


domingo, 5 de agosto de 2012


 


 Inteligência é o maior afrodisíaco que um homem pode oferecer


Nem de longe é a beleza de um homem que encanta a mulher. Para a sorte de vocês (ou azar, vai saber...), nosso barato é diferente, e pode ser definido, entre outras coisas, como "virilidade".
 Vai muito além da testosterona exacerbada.

Tem a ver com autoconfiança, sempre. E com perspicácia, qualidade muito rara num homem. Ou você pensou que seria fácil? Não ligamos pra barriga, careca ou pneuzinhos, até porque sabemos muito bem que nada disso atrapalha, tanto quanto o seu oposto pode ser absolutamente desprovido de encantos se não vier acompanhado de um perfil psicológico substancioso.Mas o que afinal de contas isso quer dizer, nunca te explicaram. Então lá vai.
Voltemos à virilidade.

Acho que poucas coisas nesta vida são mais eróticas e provocantes do que a inteligência. E quem a tem também possui senso de humor - porque somente os inteligentes não levam nada muito a sério e sabem se divertir mesmo com as intermináveis chatices cotidianas. Então temos inteligência e senso de humor, que somados à malícia (outro atributo dos neurologicamente privilegiados) arrebatam as mulheres e tornam um homem ainda maior aos nossos olhos. Porque não basta pregar a gente na parede. Isso todo ser munido de um bom falo é capaz. É preciso, para se diferenciar da varonil multidão, despertar nosso impulso primitivo racionalmente ativável.

Eternamente alunas
 Vocês olham uma mulher e pensam: "Meu Deus, que peitos, que nádegas, que cinturinha escultural, que boca mais lasciva...", e já começa o devaneio e o desejo de abater.

 Nós, não. É impossível uma mulher (minimamente inteligente, claro) olhar para um homem esteticamente interessante e, sem nenhuma conversa, desejar ser invadida. Não. Eis aqui a diferença: nosso desejo de invasão não prescinde do intelecto (você já deve ter presenciado o olhar admirado e sensual das alunas de um grande professor). É preciso passar primeiro pela porta da razão para chegar à porta da alegria. E quanto melhor for o instrumento pensante do sujeito, maiores as chances de acolhida de um outro também interessante e mais mecânico agente.
 Porque mulher gosta mesmo é de ser surpreendida, e isso só acontece quando se depara com alguém mais esperto do que ela. Todos sabem o jogo que estão jogando, esse interminável gato-atrás-do-rato que motiva nossa vidinha. E é preciso reconhecer as suas regras, o que requer maturidade.
  Homens que  bajulam e não convencem, no chance. Os cafas, cruz-credo! A gente tem olho clínico pra eles e passa longe quando os vê. Os posudos e pretensiosos não duram mais do que uma noite. Restam então os inteligentes.
 Estes, sim, sabem do que somos feitas. E sabem que, por trás de toda empáfia, vaidade ou sedução, está um bichinho indefeso em busca de acolhimento, louco por um colo.A virilidade está nisso, na consciência masculina de que não somos assustadoras nem lascivas, mas apenas mulherzinhas assustadas e ávidas por um olhar que nos descubra. E nos devore, de preferência.

( Kika Salvi)

Fato...




Assim...
Domingo...
Cinema em casa...
Relaxar da correria da semana... filme classico ( adoro)... suspense... baseado no romance de Agatha Christie