segunda-feira, 16 de julho de 2012


Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,  
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco – não sei qual – e eu sofri.  
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,  
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.  
Amei e odiei como toda gente,  
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,  
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo“.

(. Álvaro de Campos in Passagem das Horas .)


Um comentário:

  1. Uma bela fase deste fantastico poeta com um intimismo aflorado, no que fez muito bem.Gosto de ler Alvaro de Campos.Voce tem um DNA de boas escolhas de textos,agrada e muito.
    Carinhoso abraço.

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