terça-feira, 12 de junho de 2012

Hj minha dor é toda a dor do mundo...

Doença de hodgkin... ou Nao-hodgkin... uma doença traiçoeira, nao se anuncia e quando se descobre ja esta em um grau avançado... chega mexendo com todos, nao so o portador... abala as estruturas... fragiliza familiares que se sentem impotentes diante de tamanha agressao...

Nesses dias especialmente, tenho lembrado muito do padre Leo que morreu  vitima de Nao -hodgkin e das palavras dele em sua ultima apariçao... tenho tentado emergir destas aguas tao profundas que nos amarram, a vida ficou la fora, atras da porta de entrada, vemos a vida atraves das janelas, nos fechamos junto com o portador... a carencia de quem enfrenta essa doença é terrivel... qualquer dor  pode ser o avanço mais rapido da doença... com isso vem a insegurança, a baixa auto-estima, a depressao...
Ainda tem que se manter uma aparencia de que esta tudo bem ou negar a doença por causa de familiares mais velhos, que nao aguentariam o baque de saber...tudo isso nos angustia...
Muitos amigos se vao apos as duas...tres primeiras semanas... todos morrem de dó e compreendem, mas vao viver suas vidas... so ficam os que  realmente gostam de vc, ou os que ja passaram por isso e sabem que qualquer gesto ou palavra de carinho é como um balsamo em uma ferida... agua no deserto... como tbm qualquer gesto ou palavra brusca em nossa direçao doí terrivelmente... sangra... ficamos muito fragilizados....ambos... portador e cuidador...
Meu tempo acabou... foi consumido por tantos cuidados, nao tenho tempo para mim... deixei de ser eu... mas é assim que tem que ser... o papel dos que estao ao lado é tentar melhorar o maximo a qualidade de vida... quando se descobre a doença se passa por um periodo terrivel de frustraçao, negaçao, medo... depois a realidade se instala e é preciso prosseguir sem muito tempo para chorar ...pq o tempo urge e é preciso agir rapidamente para se ganhar um pouco mais de tempo...
O pior disso tudo sao as incertezas...o linfoma é a doença do "se"... 
Me  lembrei tbm de uma moça que vi o depoimento dela em uma comunidade sobre o assunto... bem no principio, quando descobrimos a doença... talvez na epoca devido o choque da descoberta nao tenha me dado conta da proporçao  da dor daquele depoimento... hj passado um tempo e ja dentro da situaçao... me identifico totalmente com tudo... 
No depoimento ela agradecia aos amigos virtuais e reais... dizia mais ou menos assim: "Agradeço a todos os que lutaram ao meu lado e de meu marido... ele foi um guerreiro o tempo todo, nunca desistiu de lutar... mesmo sabendo que seu tempo era breve... com ele vai meu carinho e amor... comigo fica a consciencia de que fiz tudo o que podia para lhe sanar um pouco as dores... mas a vida é assim... comigo caminha os filhos que ele me deixou ( ele a deixou com dois filhos...um bebe de oito meses e outro mais velho) ele vai em paz e comigo fica a paz de saber que fiz tudo o que estava ao meu alcance"...
Me senti naquelas palavras...pq tbm tenho um filho recem-nascido... e sei o que é viver essa situaçao...
Hj essa dor que trago esta mais pesada... talvez pq tenha visto na pessoa um rasgo de cansaço , o começo da desistencia ...o cansaço de lutar... e entao eu nao poderei fazer mais nada...tenho tentado ser forte... mas hj o dia amanheceu mais cinza...


"O Padre Léo falou de sua saga, da doença, do câncer que foi ruindo suas energias, alegria e vontade. Já não andava, não ouvia, não enxergava, não conseguia se banhar e, às vezes, se alimentar. Ele dizia, emocionado, ao sentir tantas dores: “Senhor, tenha piedade de mim”, pois era sustentado por sua fé, por seu amor a Jesus e por sua confiança em Deus.
Para encerrar e chegar onde eu quero, repito suas palavras: “Essa doença, o câncer, é terrível! De tudo o que ela me fez perder, o que me doeu mais foi perder a dignidade. É, o câncer tira a nossa dignidade! Era doído ser limpo, lavado e ver pessoas trocando as minhas fraldas. Perder a minha dignidade foi pior que não poder andar e enxergar.”"

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