sexta-feira, 27 de abril de 2012



Quando renunciou à esperança, nela o Amor se resumiu a umas caixas de bombom e alguns cartões vermelhos - cada um com um nome diferente e todos com as mesmas frasezinhas clichês - vez ou outra no passar dos meses. Passou a pensar que era impossível amar mais do que jamais havia amado; e que fosse impossível morrer de Amor mais do que antes havia morrido. Não acreditava ela mais no Amor, como nunca antes pudesse ela ter acreditado. E enquanto aguardava o melhor convite, o melhor momento ou a melhor companhia, dava sempre um jeito de fugir, de se esquivar, de nunca atender. 'Se enxergá-lo é difícil, não ver é ainda pior', pensava; por isso fechava todas as portas para ser feliz só amanhã. Menina era muito fácil em cumprir promessas e outras em jamais fazê-las, quando o assunto era se entregar. Sua Alma não era mais daquele tempo. A vida não batia mais naquele coração; era um engano da sorte que pudesse continuar pulsando. Deus errou a hora da sua morte quando viva deixou seu Amor partir, abrindo um vazio quase-infinito dentro do peito. Vazio que lhe dava a oportunidade de fazer o mundo inteiro nela caber, ainda que nele, ela não nunca mais se encaixasse.


Guilherme A.

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