quarta-feira, 25 de abril de 2012



Guardo comigo um silêncio que espera saber ser quando falar; quando no peito silêncio deixar de ser ou de estar. Se poucos são os corações que sabem pelo silêncio suas verdades, eu nada mais escuto. Calada, sobram-me palavras que me distraem deste não-ser; pois sou o silêncio imenso dos desertos; sou o inverno que desconhece o tempo de partir e permitir a primavera. Sou o segundo ante a sentença de culpa ou absolvição. Sou silêncio porque sou melhor não dizendo nada. Sou melhor sendo aridez a vendaval. Sou mais fácil sendo a queda do que caminho. O que sou me alivia das farpas que um dia fui; semente que para ser jardim, aguarda a sua própria morte; sou a árvore órfã de seus frutos.Carrego uma divisão do ser, do querer, do desejar, entre o calmo e o turbilhão, entre a razão e a paixão, entre o casto e o profano. Carrego um espaço vazio em que o Amor deveria preencher; mas sou casa abandonada em que vivo com todos os tons de cinza de que meu silêncio é feito; uma sombra cansada de existir quando no silêncio de nós dois se fez um oceano.

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