segunda-feira, 23 de maio de 2011

Meu sangue Cigano...

"Preciso de portas abertas, pra que possa correr indo e voltando quantas vezes meu coração julgar necessário. Preciso de um ‘não’ preparado na sua boca ou na de quem for pra me dar um freio, pra ativar o bom senso. Preciso continuar sonhando com aquelas coisas tantas, e um sol que caiba na ponta do meu dedo quando eu escrevo mais uma frase. Preciso que não esvazie meus sonhos como quem esvazia uma garrafa d’água. Eu respiro a vida em forma de poesia, e até mesmo as coisas tristes são coloridas, sinto tanto amor, é tanta luz que eu tenho ânsias quando não sei distinguir se é a hora certa de dividir estas coisas com o mundo ou se elas devem permanecer grudadas no meu travesseiro.
Eu preciso que você não me apague. Que aceite, sem precisar enfiar goela a baixo, este meu viver que escapa pelas costuras da roupa como se meus pensamentos flutuassem o tempo todo no meio de um jardim de girassóis. Quero ser sentida, respirada, sugada até não ter forças pra pensar, pra decidir que eu quero ficar de olhos fechados, de braços abertos e nada mais.
Pra me ter, você precisa manter meu espírito livre, mas segurar meu corpo. Não matar meus sonhos, mas rasgar minha roupa, minha carne. Me dar broncas mas rir dos meus devaneios. Porque sou daquelas criaturas sem destino certo para os pés, mas com o coração certo de onde é o meu lugar."

Assim que ele me vê...

"Pilantra. É assim que ele me chama. Ainda diz que tenho uma maldade adormecida no canto da boca, uma bondade forçada no meu jeito de falar. Mas que meus olhos não enganam.
Você é pilantra! – Diz e dá uma risada, quase um grito de raiva. Porque na verdade ele fica esperando que eu vomite toda a minha fúria e meu veneno bem guardado. Dou as costas e peço pra me deixar em paz, e só.
É só isso que sei fazer, eu dou às costas pro mundo. Não fico pra ver no que a merda toda vai dar, eu quero mesmo é sossego, que se danem se as opiniões são diferentes, não estou aqui pra provar nada. Não compro briga e quando compro é sempre sem querer. Quando alguma coisa em mim falha, acabo dando ouvidos à cobra venenosa tatuada nas minhas costas, e não ao meu bom senso.
Acha que não dou risada das piadas mal contadas de propósito. Porque não dou risada nem das boas. Alguma coisa por trás do meu estômago enjoado até acha graça. Mas a gastrite breca o riso, e eu fico quieta. Não sei o que mais irrita em mim: Não rir nunca na hora que alguém precisa da tua risada, ou dar risada na graça à toa do mundo, quando ninguém está contando nenhuma piada.
O que eu não quero, é perder meu tempo. Pra discutir e ter que fazer as pazes. Deixa a vida levar com ela meu grito, meu impulso. Deixa pra lá.
Mas ele insiste que sou pilantra. Que bagunço a casa e a vida das pessoas de mansinho. Que procuro os espaços mais estreitos pra me enfiar, ficar por lá, mastigando alguém. Que é tudo de propósito, tudo máquina, tudo milimetricamente desenhado, ensaiado, executado com cuidado.Eu poderia sentar e fazer com ele o que eu nunca fiz – e nem farei – com mais ninguém. Explicar o porque desta coisa toda que parece engasgada em mim, esse negócio de parecer que tenho tinta no cabelo e uso óculos só pra disfarçar. Mas não. Eu dou as costas mais uma vez, ele dá seus gritos e risadas odiosas. Hoje eu não conto, me deixa em paz.
Amanhã, talvez."

Existem almas entrelaçadas?


 Sai do hospital, olhei o relogio... era bem cedo ainda, o sol nem tinha esquentado o mundo na sua totalidade.
Resolvi caminhar, estava uma brisa fresca, prenuncio da estação que mais gosto...
Caminhava pensando nela e em como ela tinha conseguido a arte de puxar a sonda e fios mesmo em sono profundo e ter feito um estrago pra que a equipe medica consertasse...sorria comigo mesma, pensando em  como a minha menina é uma guerreira, em como ela esta lutando pela vida...
Nem vi um senhor bem idoso, bem vestido, se aproximar de mim...assustei-me quando ele parou na minha frente e serio me perguntou: Almas se entrelaçam?...por um momento pensei que ele estivese brincando, por mais um momento que ele fosse louco...mas ele me fitava sem desviar o olhar, seus olhos eram firmes...um olhar tão forte não poderia  ser de uma pessoa enlouquecida...
Por um tempo sustentei esse olhar...os dele não se mexiam um milimetro, esperavam pela minha resposta...
Então abaixei meus olhos...dei um sorriso sem graça, e continuei minha caminhada sem olhar para tras...nao poderia...primeiro pq não tinha resposta e depois pq estava chorando...

domingo, 22 de maio de 2011

"O Ruim de se amar uma pesoa tão leve é a rapidez como ela voa para longe da gente"

"Sabe de uma coisa? O fato de vc nunca ter me olhado direito era o que mais me incomodava. Vc nunca me encarou nos olhos, mergulhou na minha retina ou escutou o ar que entra pelo meu nariz e sai pela minha boca. O fato de vc sorrir pra mim ou vice e versa nunca significou absolutamente nada. Se eu sorria, era por pensar como vc conseguia ser tão atraente e tão cego, e o seu sorriso- resposta era por achar que minha bunda era sensual demais ou como era linda a minha capacidade de amar alguem que me ignorava tanto.
Eu não queria casar com vc, nem ter uma dúzia de filhos, nem virar uma auto-falante na hora do café da manhã, nem lavar as tuas roupas, nem reclamar pq vc bebia demais, nem pedir pra vc parar de jogar baralho, nem dizer que vc era péssimo no futebol só pra te ter aos domingos comigo. Eu queria que vc me desse um adjetivo novo. Pra eu vestir meu corpo velho e antiquado e não parecer tão sozinha. Eu queria um presente teu pra eu poder acariciar enquanto vc não chegasse. Eu queria que vc ignorasse o meu jeito pequeno e o meu gosto musical e me encarasse de frente, sem o medo tremendo que eu te segurasse e amarasse ao pé da minha cama.
Mas pq vc nunca me olhou direito? Deve ser culpa do meu olhar duvidoso e cheio de perguntas, ou da minha boca metralhadora de palavras que vc nunca entendeu, deve ser culpa da minha falta de paciencia e da sua perfeição em não colocar a mão na cabeça, não abaixar os olhos, não morder os labios ou qualquer coisa que me desse um sinal, ao menos um sinal de que vc realmente sentia algo em relação ao que dizia.
A sua resposta era sempre um beijo quente, uma desculpa esfarrapada, e o teu nunca olhar para tras pra saber seu eu fiquei inteira. Se eu fiquei respirando. Se eu fiquei armada pra quando vc voltasse.
O que valia é que eu sempre ficava ali..."

 

Seguiu seu coração: declarou-se a ele. Antes tivesse seguido seu horóscopo: "Hoje não é um bom dia"

(Edson Rossato)

 



 

 


O mundo de Frida...

"pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade". (Kahlo, Frida. O diário de Frida Kahlo:p. 287).

"Algumas pessoas passam a vida toda e não sentem o que nós sentimos, outras nem sabem que isso existe."



Um amor intenso, com fortes indícios de que poderia dar certo, mas Francesca Johnson (Meryl Streep) teve medo de arriscar. Preferiu o infortúnio de uma vida infeliz, ao lado de um homem que há muito não amava mais. Ficou com ele até o fim, mas passou o resto da vida pensando e escrevendo um diário sobre "o outro". Morreu triste, obviamente.
As vezes não se pode entender...

Só sei que foi assim...e eu me emocionei...um dos filmes mais bonitos que ja vi...




"Nunca deixei de pensar nele, nem por um momento.
Ainda quando não se achava em minha mente consciente,
o sentia em alguma parte, estava sempre ali."
(Meryl Streep)



 "Quando penso em por que fotografo, a única razão que me vem à mente é que passei minha vida tentando chegar aqui.
Tenho a impressão de que tudo o que fiz até hoje, foi para chegar até você."

(Clint Eastwood)




Postado por  Poupée Amélie

“Fui pensando em um dia de cada vez. Não é isso que dizem que se deve fazer? Eu sei que parece banal, mas eu me levantava de manhã e dizia pra mim mesma que só precisava ser forte por um dia. Apenas um dia. E fui fazendo isso, dia após dia.”
Noites de Tormenta.