domingo, 22 de maio de 2011

"O Ruim de se amar uma pesoa tão leve é a rapidez como ela voa para longe da gente"

"Sabe de uma coisa? O fato de vc nunca ter me olhado direito era o que mais me incomodava. Vc nunca me encarou nos olhos, mergulhou na minha retina ou escutou o ar que entra pelo meu nariz e sai pela minha boca. O fato de vc sorrir pra mim ou vice e versa nunca significou absolutamente nada. Se eu sorria, era por pensar como vc conseguia ser tão atraente e tão cego, e o seu sorriso- resposta era por achar que minha bunda era sensual demais ou como era linda a minha capacidade de amar alguem que me ignorava tanto.
Eu não queria casar com vc, nem ter uma dúzia de filhos, nem virar uma auto-falante na hora do café da manhã, nem lavar as tuas roupas, nem reclamar pq vc bebia demais, nem pedir pra vc parar de jogar baralho, nem dizer que vc era péssimo no futebol só pra te ter aos domingos comigo. Eu queria que vc me desse um adjetivo novo. Pra eu vestir meu corpo velho e antiquado e não parecer tão sozinha. Eu queria um presente teu pra eu poder acariciar enquanto vc não chegasse. Eu queria que vc ignorasse o meu jeito pequeno e o meu gosto musical e me encarasse de frente, sem o medo tremendo que eu te segurasse e amarasse ao pé da minha cama.
Mas pq vc nunca me olhou direito? Deve ser culpa do meu olhar duvidoso e cheio de perguntas, ou da minha boca metralhadora de palavras que vc nunca entendeu, deve ser culpa da minha falta de paciencia e da sua perfeição em não colocar a mão na cabeça, não abaixar os olhos, não morder os labios ou qualquer coisa que me desse um sinal, ao menos um sinal de que vc realmente sentia algo em relação ao que dizia.
A sua resposta era sempre um beijo quente, uma desculpa esfarrapada, e o teu nunca olhar para tras pra saber seu eu fiquei inteira. Se eu fiquei respirando. Se eu fiquei armada pra quando vc voltasse.
O que valia é que eu sempre ficava ali..."

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